“A inovação cria valor. A repetição transforma esse valor em identidade.”
Existe uma expectativa constante por novidade.
A cada coleção, novas modelagens, novos materiais, novas construções e novas referências chegam ao mercado. A inovação é parte essencial do desenvolvimento de produto. Ela impulsiona a evolução, amplia possibilidades e permite que marcas evoluam sua linguagem e fortaleçam sua identidade por meio do produto.
Mas criar uma boa inovação é apenas parte do processo.
O que realmente constrói uma marca é reconhecer quando essa inovação merece permanecer.
Nem toda inovação se torna identidade
Toda inovação nasce para resolver um problema, atender a um desejo ou oferecer uma experiência melhor ao consumidor.
Ela também nasce para diferenciar a marca e gerar valor.
Quando uma inovação é bem recebida pelo mercado, ela deixa de ser apenas uma novidade.
Ela passa a representar uma oportunidade muito maior.
A oportunidade de se tornar um código reconhecível da marca.
A repetição constrói reconhecimento
Existe uma ideia de que repetir um produto significa deixar de inovar.
Na prática, acontece justamente o contrário.
Grandes marcas continuam inovando.
O que elas fazem é preservar aquilo que já provou seu valor.
A Hermès não criou uma nova Birkin a cada coleção.
A Bottega Veneta continua reinterpretando o intrecciato.
A Chanel mantém o matelassê como parte da sua linguagem.
A Prada segue explorando o nylon sob diferentes perspectivas.
Esses elementos permanecem não porque faltam novas ideias.
Permanecem porque se tornaram parte da identidade dessas marcas.
A repetição não reduz o valor da inovação.
Ela consolida esse valor.
Quando o produto deixa de pertencer à coleção
Na moda praia, esse movimento é facilmente percebido.
Uma marca desenvolve uma nova modelagem.
Ela se diferencia.
Veste bem.
Oferece conforto.
Valoriza diferentes corpos.
Entrega exatamente a sustentação ou a marquinha de sol que muitas clientes procuram.
A aceitação é imediata.
Na coleção seguinte, essas clientes procuram aquela modelagem novamente.
Em uma nova estampa.
Em uma nova cor.
Com novos detalhes.
Quando isso acontece, a cliente já não procura apenas uma novidade.
Ela procura um produto cuja qualidade, vestibilidade e caimento já aprendeu a reconhecer.
Pouco a pouco, aquele produto deixa de pertencer apenas à coleção em que nasceu.
Ele passa a fazer parte da identidade da marca.
O tempo também constrói produto
Nem toda inovação permanece.
Mas algumas ultrapassam o tempo de uma coleção.
Continuam sendo desejadas, reinterpretadas e escolhidas pelas clientes temporada após temporada.
É assim que um produto deixa de ser apenas um lançamento.
E passa a se tornar uma assinatura da marca.
— LOOAA Journal